2. Análise Histórica
Considerações Gerais
2.1 História da Cidade de São Vicente
Em este breve histórico, aqui apresentado, não ha intenção de se criar teorias ou discordar das que existem, mas sim apenas relatar o que já foi escrito sobre a história da cidade de São Vicente. Pretende-se com este relato melhor compreensão dos acontecimentos ocorridos nesta cidade, com objetivo de melhor se compreender e contextualizar a história da Igreja Matriz de São Vicente Mártir, o real objetivo deste estudo.
A cidade de São Vicente encontra-se ubicada no litoral paulista, mas objetivamente distante 51 km em linha reta da Capital do Estado, pelo rumo SSE. Seu marco zero encontra-se junto ao Relógio de Sol à Praça 22 de Janeiro, com as seguintes coordenadas geográficas, latitude S 23º50’00” e longitude W 46º22’00”.
Fonte: “São Vicente: A Geografia Através dos Mapas”, de Angela Frigério.
Mas a cidade atual juntamente com sua atual localização não são as mesmas dos tempos de colonização do Brasil quando a vila de São Vicente foi fundada por Martim Afonso.
“O portentoso pensamento de Cristovão Colombo estava realisado; era um fato consumado havia já trinta anos.
Fez-se caminho de uma outra terra além da conhecida no mundo; e todos os povos do antigo continente tinham os olhos voltados para essas regiões longínquas, da qual se fazia narrativas grandiosas à semelhança de contos mágicos, de onde chegavam homens estranhos e cousas maravilhosas.
O século XVI abriu-se para as descobertas do Brasil.
Trinta e quatro anos eram passados depois que Vasco da Gama, dobrando o Cabo da Boa Esperança, devasára o império asiático; vinte e três, que o italiano Americo Vespucio reconhecêra o continente a que déra o seu nome: Vicente Pinzon chegará ao rio das Amazonas; e Pedro Alvares Cabral, à costa do Brasil em demanda da Índia, seu único destino. Martim Afonso, navegando o Atlantico-meridional em 1531, corta nesses mares a paralella 32ª, e proseguindo, vai surgir no rio da Prata, para em seu regresso dáli firmar pé no litoral de Saõ Vicente que antes atravessára.” ( J. J. Machado Dóliveira, 1978, p.11)”.
Sem querer entrar no mérito de determinadas afirmações que constam neste trecho de texto, tem-se o objetivo de relatar um breve histórico das descobertas no novo mundo até a vinda de Martim Afonso a estas terras. Mas engana-se quem acredita que os primeiros moradores vieram com esta expedição.
A região que se encontrava dentro dos limites da chamada Capitania de São Vicente, era habitada desde muito antes de receber esta denominação, por três nações indígenas, os Guayanás na parte austral do país, os Tupys do vale do rio Itanhaém ao de Cananéia, e os Carijós desde o rio de Cananéia até o dos Patos.
Quando Martim Afonso aporta nesta região os guayanás possuíam dois chefes principais, Tybiriça e Cayubi. O primeiro era chefe da confederação das tribus indianas e dominava os campos de Piratininga e o segundo dominava o litoral desde o rio de Bertioga até o rio dos Patos. (1)
Estes dois habitantes primitivos desta terra,como veremos mais adiante, desempenharam um importante papel na colonização da região.
Entre o final do reinado de D. Manoel e início de D. João III, não se despediçou ao descobrimento do Brasil muita atenção, a qual estava voltada para as Índias. Foram enviados Américo Vespúcio, Gonçalo Coelho e Christovão Jacques, para tomarem reconhecimento da terra conquistada. Sendo que apenas Américo Vespúcio havia chegado às terras a sul da Bahia de todos os Santos, descoberta por Christovão Jacques, até o rio da Prata. Portanto o rei D. João III possuía pouco conhecimento da região.
Segundo Frei Gaspar (2) o rei estava desejoso de conhecer esta porção de terra ainda pouco explorada e juntamente com as notícias de invasão e exploração estrangeira nas terras da colônia, decidiu que uma esquadra deveria ir explorar estas terras. Para Capitão-mor foi nomeado Martim Afonso de Souza, que além de reconhecer e pesquisar os mares do sul deveria montar a 1ª Colônia no Brasil, além de possuir poderes de comandar tanto no mar como na terra os colonos que aqui se estabelecessem. Este seria acompanhado de seu irmão, Pedro Lopes, para dirigir a navegação.
“ A armada zarpou de Lisboa em 3 de dezembro de 1530,...”.
(J. J. Machado D’Oliveira, 1978. p.20).
“... e chegou ao Rio de Janeiro no primeiro dia do ano de 1531.”.
(Frei Gaspar Da Madre de Deus, 1953, p.40).
A partir do Rio de Janeiro a armada vem descendo a costa em direção sul, entrando e saindo de baías, reconhecendo as terras ali situadas, até que em 22 de janeiro de 1532 adentra a Barra de São Vicente, nesta enseada encontram-se duas ilhas sendo que a primeira recebe o mesmo nome da Barra em comemoração a esse feito, e a segunda seria chamada, futuramente de Santo Amaro.
(1) Macaho D’Oliveira, J. J. . (1978) “ Quadro Histórico da Província de São Paulo”. 1ª Edição. Governo do Estado de São Paulo. São Paulo.
(2) Da Madre de Deus, Gaspar. (1953) “ Memórias para a História da Capitania de São Vicente”. Livraria Martins Editora S.A. . São Paulo.
Após um exame cauteloso na parte exterior destas ilhas, o Capitão-mor decide desembarcar na Barra de Bertioga, por não apresentar riscos eminentes. E por medida de segurança edificar uma torre de defesa, caso a gente da terra resolve-se atacar. Alguns índios que por ali pescavam sentiram-se ameaçados e vão de encontro a sua aldeia contar as novidades, que se espalham até os ouvidos de Tibiriçá, o chefe da confederação das tribos indígenas. Este com medo de uma ofensiva resolve atacar antes, mas é impedido pelo português João Ramalho, que vivia maritalmente com sua filha.
“Ramalho, que parece fôra lançado por desterro n’alguam das terras da costa, ou por Gonçalo Coelho quando em 1501 navegou o Atlantico-meridional em descobrimento das terras colaterais do litoral que fôra reconhecido por Cabral, ou quando não, por Christovão Jacques, a quem em 1526 se commettêra o encargo de policiar esses mares da pirataria européa e que aportára em diversoso pontos do litoral;...” (J. J. Machado D’Oliveira, 1978, p.22).
Este aconselha Tibiriçá que o deixe servir de emissário para que no encontro com os portugueses tudo corra em paz. Graças a sua intervenção o encontro entre a gente da terra e os portugueses foram com festa e alegria.
Após este ocorrido existem controvérsias sobre se Martim Afonso parte para a exploração das terras até o Rio da Prata, ou se logo depois do encontro com João Ramalho e Tibiriçá levanta a povoação que seria a futura São Vicente.
A fundação de São Vicente ocorreu muito antes a chegada de Martim Afonso, que fez apenas fundar, oficialmente, São Vicente, já que ali viviam não só índios como portugueses. A ele apenas coube a colonização regular.
São Vicente é nome que já aparece assinalado desde 1502 nos mapas da época como ilha, porto e povoado sob várias denominações com “ San Vicente”, “Sanbicente”, “San Vicente”.
A partir do trecho do Diário de Pero Lopes de Souza, transcrito por Marco Antonio Lança em sua obra “Vilas Paulistas do século XVI “, se deduz que Pero Lopes de Souza havia saído á procura de um sítio calmo na bahia em que estavam, para concertarem as embarcações, este encontrou um lugar calmo e protegido dos ventos, depois retornou já com as naus. Chegando ali encalharam uma nau que precisava de reparos, e a mando de Martim Afonso, construíram uma casa para guardar as velas e enxárcia.
Chegando ali o Capitão-mor encontrou um povoado de portugueses(3).
A vila primitiva situava-se, entre o atual Morro dos Barbosas e a praia do Itararé.
“... no fim da praia de Tararé, junto ao mar, em sítio alguma cousa distante do porto Tumiaru, entre o qual e a povoação se intromete um outeiro.”.
( Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
Não se sabe bem ao certo se devido a já haver encontrado uma vila existente ou se porque ali era um local de difícil acesso, portanto difícil de atacar. Martim Afonso decidiu ali situar a povoação, já de imediato abriu um caminho do local da povoação até o porto na praia do Embaré, pois o porto de São Vicente era de difícil navegação para as grandes embarcações, depois
(3) Lança, Marco Antonio. (1979). “Porto das Naus, História e Natureza, São Vicente”. Inédito. Trabalho de TGI da
Universidade Católica de Santos.
edificou a Casa do Conselho, a Cadeia, estaleiro, a igreja Matriz que recebeu a invocação de Nossa Senhora da Assumpção,
“ Para Matriz, erigiu uma igreja, como o título de Nossa Senhora da Assumçõa: Fêz cadeia, casa do Conselho e tôdas as mais obras públicas necessárias...”
( Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
arruou ruas e distribuiu lotes para os que ali já viviam, também trouxe o cultivo de cana-de-açúcar, dando um impulso na economia do local com os engenhos.
“A nascente povoação de São Vicente foi pouco feliz nos primeiros annos da sua fundação, e pouco medrou em população, embora o donatario da capitania em 1533 e antes da sua partida para a Asia lhe provesse de colonos portugueses, enviando-lhe ao mesmo tempo entre varios objetos de cultura mudas de cana de assucar, providenciando o seu fabrico...”.
( J. J. Machado D’Oliveira, 1978, p.33).
Por volta dos anos de 1535 e 1536 a vila de São Vicente foi atacada pelos refugiados do Rio da Prata.
Entre os anos de 1537 a 1538, ocorreu a total obstrução da barra do rio São Vicente frustrando a navegação de embarcações maiores e assim se iniciou a prematura decadência da vila. As grandes embarcações paravam no porto do outro lado da ilha e as comitivas continuavam por terra até São Vicente.
“ No ano de 1542, já não existia a casa do Conselho e a povoação se tinha mudado para o lugar onde hoje existe, segundo consta de alguns têrmos de Vereações dêsse tempo nos quais acho que os Camaristas se congregaram na Igreja de Nossa Senhora da Praia em 1 de janeiro, e em 11 de março, e na de Santo Antonio em 1 de abril, e 20 de maio do dito ano de 1542, por te o mar levado as casas do Concelho”.
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
Planteia-se que a povoação tivesse se instalado ao redor de onde se encontra hoje a atual matriz.
Fonte: “ As Vilas Paulistas do Século XVI”, de Marco Antonio Lança.
Devido aos infortúnios descritos, e ao crescimento da povoação de Santos, elevada a categoria de vila em 1545, a vila de São Vicente começou a perder população ajudando ainda mais na decadência desta.
No ano de 1549 os jesuítas chegam a vila de São Vicente e aqui fundam um colégio e uma igreja com a invocação do Nome de Jesus.
“... a vila de São Vicente... tem uma igreja muito honrada e honradas casa de pedra e cal com um colégio dos irmãos de Jesus.”.
( Tomé de Souza, 1553, carta a D. João III ).
Não se sabe bem ao certo se a esta igreja que se refere Tomé de Souza seria a segunda matriz construída ou a do colégio.
Por volta do ano de 1580, a Câmara de Vereadores de São Vicente concede terras a Jerônimo Leitão para eregir um trapiche.
“ Segundo mapa da capitania de São Vicente, desenhado por João Teixeira Albernaz em 1631, o local do trapiche era o mesmo das ruínas que temos hoje”.
( Marco Antonio Lança, 1979).
Estas ruínas estão localizadas na parte continental, perpendicularmente a baixada do pegão da Ponte Pênsil.
Os jesuítas transportam o colégio de São Vicente para Piratininga no ano de 1554, isto se deve à dificuldade que este encontram em sustentar os alunos e decidem mudar-se por possuir Piratininga mais recursos.
Em 1583 o pirata Cavendisch, rouba e incendeia a vila de São Vicente.
A Compania de Jesus abandona definitivamente a vila de São Vicente em 1585, deixando a própria sorte a igreja do Nome de Jesus.
“ A igreja do Nome de Jesus, aos poucos, abandonada, acompanhou de modo inglório, a decadência da vila de São Vicente.
Dela nada restou, além de uma placa comemorativa, na praça 22 de janeiro, próximo à rua do colégio.”.
( Wilma Therezinha, 1993, p.15).
Em 1615, o almirante Joris van Spilbergen, invadindo o porto de Santos, envia parte de sua esquadra em busca de viveres em São Vicente, estes ocupam o engenho e entram em guerra com os vicentinos e moradores de Piratininga que ali acudiram a socorro. Já a esse tempo entra São Vicente em decadência. Atraídos pela nova povoação que se fundara nos Campos de Piratininga e pelo surto de bandeirismo, os vicentinos iam pouco a pouco abandonando esta vila.
Com a fundação de São Paulo, essa decadência mais se acentuou. Deixando de ser cabeça de capitania desde 1624, em benefício de Itanhaém, em conseqüência de questões entre os herdeiros de Martim Afonso, para readquirir o título em 1679, sendo que São Paulo se tornou cabeça da nova Capitania de São Paulo em 1710.
Isso mais contribuiu para a completa paralisação da vida vicentina, que assim veio num progressivo marasmo, até o século XIX.
“ A má escolha do local e ao progresso da povoação de Santos, começada em 1540, deve a Vila de São Vicente sua rápida decadência, que parece terminará com a extinção da povoação. Além da matriz, a Vila de São Vicente, possui apenas a Casa de Câmara em cujo edifício está também a sala de detenção”.
( Azevedo Marques, 1870).
Mas esse sombrio prognóstico não se realizou. São Vicente, que através dos séculos resistirá a todas as vicissitudes, numa soberana vontade de sobreviver, venceu sua própria decadência e ingressou no século XX.
Atualmente destaca-se pela prestação de serviços e turismo.
2.2 História da Igreja Matriz de São Vicente
A primeira Matriz conhecida construída na Vila de São Vicente foi à construída a mando de Martim Afonso de Souza quando aqui chegou.
Poucos dados foram encontrados sobre este orago, apenas que se tornou paróquia em 30 de junho de 1535 sendo a primeira da Capitania de São Vicente(1), que possuía a invocação de Nossa Senhora da Assunção e seu primeiro pároco foi Pe. Gonçalo Monteiro
Segundo consta este edifício foi construído juntamente com outros necessários, para a conformação de vila.
“ Para Matriz, erigiu uma igreja, com título de Nossa Senhora da Assunção: fêz cadeia, casa do Conselho e tôdas as mais obras públicas necessárias...”
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
O mesmo Frei Gaspar também afirma que estes edifícios possuíram uma breve vida útil, pois uma invasão do mar fez com que estes edifícios desaparecessem.
“No ano de 1542, já não existia a casa do Conselho e a povoação se tinha mudado para o lugar onde hoje existe, segundo consta de alguns têrmos de Vereações dêsse tempo, nos quais acho que os Camaristas se congregaram na Igreja de Nossa Senhora da Praia em 1 de janeiro, e em 11 de março, e na de Santo Antônio em 1 de abril, e 20 de maio de dito ano de 1542, por ter o mar levado as casa do Conselho.”
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
“Também a Igreja matriz veio padecer o mesmo infortúnio, ...”
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.61).
Durante o período em que a Vila de São Vicente ficou sem um edifício sede para a matriz, segundo a Drª Wilma Terezinha(2), as igrejas de Nossa Senhora da Praia e de Santo Antonio teriam sido utilizadas tanto para as reuniões do Conselho, como para os ofícios religiosos da paróquia.
“A igreja de Santo Antonio foi a que serviu de matriz, quando o mar demoliu a primeira aqui edificada.”
(Pe. Manuel da Assumpção Costa, 1898, p.157).
Quanto à localização destas igrejas existem as seguintes hipóteses, supõe-se que a igreja de Nossa Senhora da Praia poderia situar-se na parte continental próximo ao que hoje é chamado porto das naus, no mar pequeno, onde estão as ruínas do engenho de açúcar de Jerônimo Leitão; ou poderia estar no mesmo local onde se encontra a atual matriz. E a igreja de Santo Antônio, acredita-se que se encontrava no Largo da Matriz, atual praça João Pessoa, do lado contrário da atual Matriz.
(1) F. de Andrade, Wilma Therezinha. (1993).”A Igreja Matriz de São Vicente: História e Patrimônio” Pesquisa Efetuada a propósito da publicação de Suplemento Especial do jornal “ A Tribuna”. Santos. p. 31.
(2) Idem, ibidem, p. 2.
“Aos 3 de janeiro de 1545, levaram em conta a Pedro Colaço, Procurador do Conselho, no ano antecedente, a quantia de 50 réis, que se haviam gasto em tirar do mar os sinos e Pelourinho da praia...”
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.62).
Esta nota se refere à retirada dos sinos da Matriz submergida nas águas do mar.
Neste mesmo ano e também em janeiro, o povo deu faculdade aos camaristas para que esses mandassem construir uma nova Matriz.
“... com alicerces de pedra e o mais de taipa, coberta de telhas ou patis, à custa do mesmo povo.”
(Frei Gaspar da Madre de Deus, 1953, p.62).
Acredita-se que esta igreja teria sido edificada em um sítio mais alto e afastado do mar, por medida de segurança.
Não há como afirmar o início de sua construção, mas se presume que as obras tenham tido término no ano de 1559, devido a pedra e sua inscrição, em exposição no Museu do Ipiranga em São Paulo, encontrada durante escavações no adro da atual Matriz no ano de 1878 (3).
Depois de aprofundada pesquisa a historiadora Wilma Therezinha planteia o significado da inscrição executada em dita pedra (4):
“Jesus, Pero Colaço Vilela me mandou fazer na era de 1559”
Esta peça, segundo a arqueóloga Margarida Davina Andreata entrevistada pela historiadora Wilma Therezinha, apresenta desgastes laterais e posteriores indicativos de ter sido preparada para ser colocada em uma parede (5).
A partir de todos estes dados se deduz que a pedra poderia estar na frontaria da matriz de 1559, devido ao local que foi encontrada, a citação a Pero Colaço, que na época da autorização da construção da igreja era Procurador do Conselho da Vila de São Vicente, na inscrição efetuada na pedra; e ao fato de estar aparentar ter sido colocada em uma parede resistente (6).
No século XVIII, a Matriz construída em 1559 encontrava-se em ruína eminente por falta de conservação e o Bispo de São Paulo D. Antonio da Madre de Deus, ordena a demolição desta em janeiro de 1756, dando o prazo máximo de seis meses para a execução deste trabalho. As obras de construção da nova matriz são iniciadas em 22 de março de 1756, sendo que os moradores se comprometeram a fornecer os materiais e os ajudantes de pedreiro. Estes fatos são dados pelo pesquisador Jaime M. Caldas a partir de uma transcrição do Livro de Tombo da Paróquia de São Vicente (7).
(3) M. Caldas, Jaime. (1993). “Uma pedra com inscrição do século XVI”. Jornal “Primeira Cidade”. São Vicente. p.8
(4) F. de Andrade, Wilma Therezinha. (1993).”A Igreja Matriz de São Vicente: História e Patrimônio” Pesquisa Efetuada a propósito da publicação de Suplemento Especial do jornal “A Tribuna”. Santos. p.9.
(5) Idem, ibidem, p.5
(6) Idem, ibidem, p.11
(7) M. Caldas, Jaime. (1993). “A Reconstrução da Matriz de São Vicente em 1756”. Jornal “Primeira Cidade”. São Vicente. P 8.
Por volta do século XIX o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro decide que devem ser executadas investigações históricas na Vila de São Vicente e encarrega destes trabalhos o sócio J. J. Machado D’Oliveira em São Paulo, este por bem, pediu que essas pesquisas fossem efetuadas por João Pereira Pinto, funcionário provincial (8).
João Pereira Pinto enviou a J. J. Machado D’Oliveira, por volta de 20 de novembro de 1854, o resultado destas investigações, que foram feitas em colaboração com o pároco de São Vicente na época, Pe. Manuel Assumpção Costa (9).
“A capela de Santo Antonio serviu de matriz até que se edificasse a segunda matriz que existiu na Vila de São Vicente, cujos alicerces examinei.”
( João Pereira Pinto, 1854).
Este diz que examinou os alicerces da matriz construída no século XVI, mas não indica onde estes se encontram.
“Em 1756, conforme se deprende de documentos extraídos do Livro de Tombo, a dita igreja de Santo Antonio, ainda existia em São Vicente, no mesmo, digo, no largo de mesmo nome, e serviu de matriz ainda até o ano de 1759, enquanto se procedeu a reedificação completa da atual Matriz de São Vicente Mártir.”
(Trecho do trabalho, “A Matriz de São Vicente”, 1984).
Esta nota nos informa que a Igreja de Santo Antonio, ainda existia no ano de 1759 e pela segunda vez exerceu o papel de matriz provisória. Segundo consta, no ano de 1807, quando o Pe. Manoel da Costa Chegou na cidade de São Vicente apenas restava uma base de pedra que era chamada de “cruzeiro de Santo Antonio”, este ainda nos informa que em 1854 a base já havia sido totalmente destruída, mas não nos dá a localização de dito objeto, nem o porque da sua destruição, ou em que data exata aconteceu (10). Segundo a tradição esta cruz juntamente com imagens de santos, sinos e outras peças haviam sido trazidas da primitiva vila de São Vicente tomada pelo mar e haviam sido colocadas na igreja de Santo Antonio.
A data exata da destruição e desaparecimento da igreja de Santo Antonio não se tem como assegurar com exatidão através dos dados encontrados, apenas se pode dizer que ocorreu entre o ano de 1759 e o ano de 1807.
Segundo Lúcio Costa no texto “Arquitetura Jesuítica no Brasil”:
“... a atual matriz – conserva, tanto externa como internamente, as proporções e o aspecto geral das igrejas mais antigas, embora os vãos e o frontão datem do século XVIII, e o revestimento e a cobertura, o coro, etc. Tenham sido recentemente desfigurados – é bem possível que o seu arcabouço ainda seja o mesmo daquela primeira igreja.”
(Lúcio Costa, 1978).
A afirmação quanto aos arcabouços ainda não pode ser confirmada nem negada.
(8) Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Tomo XIX, Tomo IV da 3ª série. (1898). Imprensa Nacional. Rio de Janeiro.
(9) Idem, Ibidem, p. 143.
(10) Revista I.H.G.B. Tomo XIX, Tomo IV da 3ª série. (1898). Imprensa Nacional. p. 157. Rio de Janeiro.
Segundo Wilma Therezinha, baseada na nota já descrita de João Pereira Pinto, se os alicerces da igreja do século XVI ainda eram visíveis no século XIX, a atual matriz não poderia ter sido edificada sobre este dito arcabouço do século XVI, e sim no entorno destes como era muito usual na época quando ocorreria uma demolição seguida de reconstrução (11).
Mas isto também não pode ser comprovado, pois na nota de João Pereira Pinto, em que a historiadora se baseia, este não nos esclarece como foi efetuado o exame e se os arcabouços estavam visíveis, e se estavam, como não temos a localização, se eram mesmo da segunda matriz.
Outra hipótese que deve ser levada em consideração é a proposta pelo pesquisador Jaime Caldas, este diz que a matriz edificada em 1559 teria sua localização exatamente onde se encontra a atual matriz, mas que apresentava orientação contrária, com a frente voltada para o porto de Tumiarú. Mas esta também não pode ser confirmada devido a falta de informações concretas que nos confirmem isto.
A resolução para esta questão só poderá ser dada através de um estudo arqueológico do edifício da atual matriz e de seu entorno.
As obras de reconstrução ou construção da “terceira” matriz duraram por volta do ano de 1756 a 1759 e foram executadas sobe direção do Pe. Dr. Tomé Rodrigues.
De 1759 em diante o edifício da Matriz de São Vicente Mártir sofre inúmeras intervenções que acabam descaracterizando sua construção. A seguir citaremos as mais importantes que foram documentados por alunos da FAFIS, no ano de 1984 (12), os quais tiveram acesso ao arquivo Jaime Caldas, onde encontraram Livros de Tombos da Igreja que constam tratados, contratos e outras informações e entrevistaram o antigo pároco Mons. Borowski.
16/set/1840 - a Tesouraria da província de São Paulo enviava à Câmara Municipal de São Vicente, o ofício solicitado “remessa de contas sobre quantia arrecadada para as obras da Matriz...”.
1º/out/1844 – o Governo da Província comunica através de ofício, ao presidente e camarista vicentinos, “haver sido colocado à disposição desta Câmara, a importância de Rs 200$000 para reparos na Matriz...”
23/jan/1863 – O Pe. Manoel José de Ascenção Costa, solicitava a interferência da Câmara junto ao Governo da província para que fosse “procedidos os reparos necessários na Matriz...”.
Março/1869 – a Câmara Municipal da Vila de São Vicente comunicava ao fabriqueiro da Matriz, Sr. Arlindo José das Neves, ter autorizado o procurador interino, Urcezino Marcelino Rodrigues, entregar a quantia de Rs 50$000, “para serem aplicados no retalho da Igreja Matriz (...) ficando assim respondido o seu ofício datado de 23 de setembro de 1868...”.
17/set/1870 – o Governo da Província comunica através de ofícios, ao presidente e camaristas vicentinos, haver sido colocado à disposição desta Câmara, a importância de Rs 1000$000 para as obras da Matriz...”.
(12) F. de Andrade, Wilma Therezinha. (1993).”A Igreja Matriz de São Vicente: História e Patrimônio” Pesquisa Efetuada a propósito da publicação de Suplemento Especial do jornal “A Tribuna”. Santos. p. 9.
(11) Rodrigues R. E., Nero. (1984). “A Matriz de São Vicente”. Inédito. Centro de Documentação da Baixada Santista.
Out/1870 – o Pde. Scipião Ferreira Goulart Junqueira, nomeado Delegado Paroquial de São Vicente, em 1863, como tal, submeteu à consideração da Câmara Municipal de São Vicente, um orçamento das obras mais precisas na Matriz, a saber:
- Soalho de corredor aproveitando as tábuas existentes – 290$000
- Escada, 4 vigas novas e conserto do soalho do consistório – 388$000
- Trilhos de ferro para segurar as vigas do soalho do trono – 30$000
- Torneamento de goteiras – 292$000
1.000$000
São Vicente, 26 de outubro de 1870.
T.A de A.
1877 – O camarista vicentino, José Martins dos Santos, mandou colocar por sua conta, dois lampiões de azeite no adro da Matriz.
Nesse mesmo ano o Pde. Antônio Santana, manteve uma escola primária na Matriz e para isso efetuou algumas alterações internas.
1878 – Diversas reformas foram procedidas no adro, quando então, surgiram inúmeras ossadas. Nas escavações que fizeram foi encontrado nos arredores da Matriz um pedaço de granito, toscadamente lavrado, em forma quadricular, tendo em suas faces esta inscrição:
O ILIMº Pº COLAÇO. VILELA. MEMÃDO V
FAZER. NA . ERA. DE. 1.5.5.9
A pedra da frontaria desse templo agora se acha no Museu Paulista.
1914 – Todo assoalho primitivo, que era de madeira, foi substituído pelo piso de mosaico. Esse mosaico só viria ser substituído pelo piso atual em 1974, quando o atual vigário efetuou as reformas necessárias.
Nesse ano de 1914 várias lápides de mármore com inscrições e sobre os locais dos sepultamentos desapareceram.
1917 – Confecção do altar-mor da matriz pelo artista entalhador Mario Coggiola. .
Dez./1926 – a antiga Cia. City, gratuitamente reformou todas as instalações elétricas que já tinham, noutra ocasião, substituída as de azeite e de gás.
Maio/ 1928 – No dia 17 foram batizados os sinos, então restaurados, pelo 1º Bispo de Santos, Dom José Maria Parreira Lara.
O maior, recebeu o nome de Pio XI e pesa cerca de 327 Kg, e o menor, pesando 220 kg, recebeu o nome de São Vicente Mártir. Esses sinos vieram a ser restaurados novamente, no paroquiado do cônego Teófilo Fraile.
1929/1937 – o Pde. Francisco Lino dos Passos substituiu as telhas coloniais por francesas. Convém ressaltar que os altares laterais que eram de madeira entalhados e dourados a bolo, também foram substituídos pelos atuais que são de mármore. Não sabemos com exatidão em que ano isso aconteceu.
1938/1939 – Pde. Teófilo Fraile iniciou a restauração, em parte, da igreja respeitando sempre o estilo colonial. Dentre os melhoramentos alo introduzidos, destacaram-se: coro, escadas e pavimento da torre em cimento armado, pois eram de madeira e ameaçavam ruir; reforma da instalação elétrica, forros e telhados; paredes internas e externas, restauração dos sinos e inúmeros trabalhos de carpintaria e marcenaria de que necessitavam os altares.
1940 – Fica pronta a pintura e decoração da abóbada.
Junho/1944 – Nas escavações feitas para o rebaixamento da Rua XV de Novembro, modificação do adro da matriz e dos degraus fronteiriços, para rampas com subidas e descidas laterais, para facilitar o acesso dos fiéis, foram encontrados crânios e ossos humanos, numa firmativa que os antigos transformavam a Matriz em cemitério.
O costume dos sepultamentos nas igrejas prevaleceu até a metade do século passado. Um aviso do ministro do Império, de 16 de março de 1850, mandou estabelecer cemitérios públicos para os enterramentos.
O sino lá colocado, só desceu em 1941, quando Pde. Teófilo Fraile conseguiu que o mesmo fosse refundido nas oficinas da antiga Companhia Docas de Santos (atual CODESP), por se achar rachado.
O serviço de refundição foi, aliás, também gratuito achando-se inscritas no bronze a data e as iniciais da então empresa portuária.
1957 – Ao aproximar-se o bi-centenário da Matriz, Pde. Teófilo mandou proceder pintura interna e externa preparando devidamente o templo para tal evento, contando tão somente com ajuda do então vereador Carlos de Menezes Tavares, já falecido, que, num gesto digno de nota, naquela época, os seus subsídios de janeiro a dezembro 1956, no valor de Cr$ 60.000,00, para os reparos necessários à preservação do histórico templo.
O pde. Teófilo Fraile enviou ao doador uma carta agradecendo a generosa oferta.
Fever./1961 – no dia 5, é empossado como vigário da Matriz o Mons. Geraldo Borowisk.
Como todos que o precederam, preocupou-se constantemente com o estado arquitetônico da Matriz. Observou que inúmeras obras tiveram que ser executadas.
Logo no início da sua administração, sofreu cerrada campanha jornalística (12/Nov/1961) porque aventava-se naquela época, a demolição da histórica igreja e a construção de outra, maior e moderna, no mesmo local.
Depois de muitos prós e contras prevaleceu o bom senso.
Entrevistado, na ocasião, Mons. Borowsk assim se manifestou: “Faço uma distinção. Se no conceito do que seja um MONUMENTO HISTÓRICO, não. Pois faltam elementos intriciosos para tal, na nossa igreja Matriz.
A afirmação não é minha, mas, do próprio Patrimônio Cultural e Artístico Nacional. Quando há alguns anos, consultado sobre um tombamento neste sentido, este órgão federal negou-se a fazê-lo, pois faltavam verdadeiros elementos artísticos, culturais e históricos. A revelia desse órgão por um Decreto Federal, foi a Igreja Matriz de São Vicente, bem como algumas outras antigas do país consideradas... remanescentes históricos”. Essa informação foi obtida por pessoa idônea e funcionária do SPHAN, distrito de São Paulo.
Estão registrados nesse órgão apenas objetos; algumas imagens a porta do sacrário, 4 colunas que sustentam o baldaquino da imagem de São Vicente, um terreno e uma parede, ou seja, dos fundos e dúvida sobre uma lanterna na parte menor da igreja.
“Tudo isso é considerado remanescente pelo Patrimônio Nacional”.
1972/1974 – sob orientação do Pde. Borowski a igreja passou por uma reforma geral e mais uma vez, todo o piso da igreja foi substituído (3ª vez) eleminando o antigo mosaico já referido.
No andamento dessas obras surgiram à luz do dia, inúmeras sepulturas de pessoas ilustres e de vários sacerdotes inumados desse templo.
Antes que ficassem encobertas para sempre pelo atual piso, copiou-se os epitáfios de duas delas:
“AQUI JAZ – Paulo Freire de Andrade
Chefe de Esquadra
Nasceu em 1757
Fallecido em 1834”
Foi reformado o teto da sacristia e do corredor contíguo que era de madeira e foi substituído por laje, eliminando-se as goteiras que foram tão prejudiciais.
A pintura interna e externa, assim como toda a iluminação recebeu uma atenção toda especial do Mons. Borowski. Por ocasião das solenidades comemorativas aos 450 anos de Fundação de São Vicente, foi realizada a pintura decorativa das paredes que circundam o altar-mor, como também algumas imagens receberam nova encarnação.
Em 1987 o Monsenhor Borowsk morre e assume como pároco o
Pe. Franciso Saiz Sandi que permanece apenas até 1988, quando se afasta por problemas de saúde, assumindo então o Pe. Paulo Hourneax de Moura Filho, que é pároco até os dias de hoje, nascido em São Vicente e morador de anos desta cidade, e profundo conhecedor da história da mesma. Do início de sua gestão até hoje apenas foram efetuadas duas intervenções significativas na igreja, trocar os lambris laterais da Capela-mor que estavam com cupim, por azulejos decorados e pintar de branco toda igreja, que se encontrava com algumas pinturas decorativas, do mais foram apenas pequenos reparos necessários.
A 6 de setembro de 2000 a igreja sofreu um incêndio, que destruiu todo o forro da Capela-mor e parte do que se situa na Nave, assim como a estrutura da cobertura da Capela-mor e parte do da Nave, danificou o altar-mor e todo as imagens situadas nele ou ao seu redor, e fez com que o reboco, de partes dos muros em torno da Capela-mor, se soltasse. Toda a Capela-mor ficou descoberta e sujeita a interpere, visando resolver esta situação e salvaguardar o monumento, em outubro de 2000 iniciou-se a instalação de uma cobertura provisória, de estrutura metálica e lona, a mando da Mitra Diocesana de Santos. Esta cobertura ficou no local até que as obras de recuperação da cobertura se iniciaram em 26 de agosto de 2001.
A nova cobertura seguiu o padrão de estrutura encontrada na antiga cobertura, mas sem a presença dos alteamentos colocados para a utilização da telha tipo francesa, esta supracitada estrutura se adequa ao esquema estrutural e as alturas do edifício, assim como a configuração utilizada em telhados coloniais, pois se encaixe no segmento de telhas existentes na parede sobre o arco cruzeiro e respeita a altura do frontão.
As telhas utilizadas foram as sugeridas pelo técnico do IPHAN do tipo produzidas pela Cerâmica Nossa Senhora do Rosário de Itu. Já o tipo de madeiras escolhido foi a garapeira indicada pelos técnicos do CONDEPHAAT, assim como, pela sua resistência física e estrutural e durabilidade.
As obras de recuperação do telhado foram encerradas em 16 de janeiro de 2002, onde teve inicio as obras de recuperação do forro formado por tábuas corridas de Ipê seguindo o desenho abobadado do antigo forro, estas obras tiveram término dia 16 de fevereiro de 2002.
Logo após foram iniciadas as obras de retirada de elementos não originais, descascamento das paredes e retirada do atual revestimento de piso, assim como, do contra-piso de concreto, nesta fase da obra foram encontradas as lápides de enterramentos ali ocorridos.
A primeira lápide foi encontrada a 15 de março, junto ao arco cruzeiro, e possuía a seguinte inscrição:
“Aqui Jaz
O Chefe da Esquadra
de
Paulo Frei de Andrade
Nasceo em 1757
Falleceo em 1854”.
A segunda foi encontrada junto ao arco cruzeiro ao lado da anterior, em16 de março e possuía a seguinte inscrição:
“Aqui Jaz
Os restos mortais
De
D. Florisbella Mª Fogaca de Araújo
Nasceo a 3 de outubro de 1823
Casou-se nesta Villa de S. Vicente
Em 10 de junho de 1840
e
Aqui faleceu
Em 18 de nobembro de 1866
Tributo as sua virtudes
por seu marido
Joze Joaquim da Silva Araújo”.
Em 18 de março foi encontrada a terceira dentro da Capela Mor, na parte frontal do Altar Mor, sua inscrição se encontra meio desgastada, mas pode-se identificar que possuía ao Pª Manuel D’ Ascenção Costa, o qual, foi pároco desta igreja.
Abaixo do arco cruzeiro foi encontrada a quarta lápide, a qual, apresentava menor tamanho e a seguinte inscrição:
“Aqui Jaz
O ynnocente
B. J. Vianna Fº
Nasceo à 18 de Mº
De 1872
E
Faleceo à 30 de
Janreiro de 1873”.
Em 20 de maio de 2002 as obras de reestruturação interna da igreja foram iniciadas, nesta etapa as .