3. Análise Tipológica

         Considerações Gerais

 

3.1 -  A Arquitetura Religiosa no Período Colonial

A atual Igreja Matriz de São Vicente Mártir foi edificada durante o dito “Período Colonial” este perdura, segundo Nestor Goulart Reis Filho em sua obra “Quando da Arquitetura do Brasil”, vai do início da colonização do Brasil, que ocorre no século XVI, até a queda do Movimento Barroco século XIX no Brasil.

Para um melhor entendimento da análise tipológica que será demonstrada mais a frente, do edifício em questão decidiu-se por analisar as características que marcaram a arquitetura do “Período Colonial”.

           

“... deve-se aqui entender por barrocas, dentro do critério histórico habitual, a maior parte das manifestações de arte compreendidas entre a última fase do Renascimento e o novo surto classicista de fins do século XVIII e, no Brasil, princípios do século XIX.“

                                                                                  (Lúcio Costa, 1978, p. 15).

 

Apesar desta afirmação do arquiteto Lucio Costa, veremos que em termos

arquitetônicos, isto não se demonstra tão simples assim pois tudo é uma evolução de estilos e resoluções.

 

- Materiais

 

Os primeiros templos, erguidos precocemente nos arraiais dos primórdios da colonização, puderam ser feitos em forma de cabanas indígenas usando-se palmeiras sustentadas por traves de madeira.”

                                                                                   (Germain Brazin, ? , p.1)

 

            Após essas primeiras construções sumárias, iniciaram-se uma série de edificações ainda de caráter provisório, mas que apresentavam muros autoportantes feitos de trama de madeira de barro-de-mão e cobertura vegetal (1). Logo que possível estas edificações foram substituídas ainda no século XVI, por edificações com estruturas de caráter mais sólido (2) como taipa de pilão, adobe de pedra e cal de acordo com os recursos encontrados em cada região.

 

“Durante o período colonial, as formas de construir importadas de Portugal, vieram mesclar-se aos métodos indígenas, surgindo daí uma grande variedade de edificações. Há um fator preponderante em todas as construções brasileiras: a escassez de pedras adequadas mal distribuídas ao longo de todo o imenso território brasileiro, estão completamente ausentes em algumas regiões, o que obrigaria os arquitetos a recorrerem a materiais como madeira, barro ou a argila, disponíveis no local”

                                                                                  (Germain Brazin, ?, p. 54)

 

As edificações de barro possuíam estruturas formadas por muros autoportentes de camadas sucessivas de barro aplicado através do método de taipa de pilão, as coberturas possuíam grandes beirais que serviam para proteger os muros das águas da chuva visando evitar a erosão dos mesmos.

 

(1) Campiglhia, Oscar. (?). “Igrejas do Brasil”. Idioma Português. São Paulo. p. 9.

(2) Costa, Lúcio. (1978). “Arquitetura Jesuítica no Brasil” “. FAUUSP e MEC-IPHAN. São Paulo. p. 21.

Nas edificações ditas de pedra e cal as estruturas eram formadas por pedras brutas sobrepostas, com argamassa às vezes de barro ou outras de cal de ostra para unir estas pedras.

Nos dois casos as paredes eram rebocadas com argamassa de cal e possuía, cobertura com estrutura de madeira coberta com telha do tipo meio cilíndrico ou meio tronco de cone, a única encontrada na época.

 

- Planta

 

            No Brasil o partido adotado geralmente é o de uma nave só, contrariamente as plantas da maior parte das igrejas européias da época, que apresentavam três naves. Foi adotado devido à filosofia de ter que se abrigar o maior número de fiéis (3) e que estes pudessem ter boa visão e escutar o pregador. Por isso que o altar-mor se situava ao fundo da nave, no conjunto da capela mor, em plano elevado.

            O partido geral de uma só nave pode apresentar cinco partidos de planta que evoluem ao longo dos tempos a partir da planta básica retangular que era utilizada nas edificações provisórias.

 

a)     A capela e a nave se apresentam como um corpo único de construção que possui forma retangular, segmentado em duas partes por um arco de cruzeiro (4), geralmente possui apenas uma porta de entrada. Este partido de planta é considerado o mais simples e foi utilizado nas capelas rudimentares dos primeiros tempos.

 

b)     A nave e a capela-mor aparecem perfeitamente diferenciadas, este último se apresenta como um retângulo menor ao fundo e com pé direito menor, ao lado desta ligada por uma porta de acesso está a sacristia que possui uma porta voltada para fora do edifício, às vezes esta dependência lateral prolonga-se até a frente da igreja que causa uma ampliação na fachada. Este é o partido mais generalizado e está presente nas igrejas mais antigas que possuíam um programa modesto (5).

 

c)      As igrejas que possuem este partido apresentam uma mediação entre as formas mais singelas das igrejas anteriores e as de forma mais complexa das igrejas maiores do século XVII, os três altares laterais existentes no modelo anterior permanecem, mas criando pequenas capelas colaterais, de maior ou menor profundidade (6).

 

d)     Planta de cruz latina, em vez dos três altares usuais, apresenta numerosos altares dispostos em capelas laterais, sendo que as que se encontram ao lado da capela mor geralmente são largas, altas e profundas, visando demarcar o cruzeiro (7). Um exemplo que apresenta este partido é a Igreja do Colégio de São Luis do Maranhão.

 

(3) Idem, Ibidem, p. 17

(4) Idem, Ibidem, p. 31

(5) Idem, Ibidem, p. 31

(6) Idem, Ibidem, p. 31

(7) Idem, Ibidem, p. 43

e)          “Ao traçado fundamental da planta de capela, acrescentam-se dois corredores ladeando a capela mor e que dão acesso à sacristia, agora transferida para o fundo do edifício, onde ocupa a largura de toda a igreja. A nave alonga-se para frente ladeada por duas torres que se apresentam na fachada. Por cima da sacristia surge um salão destinado às reuniões da irmandade, o Consistório. Sobre os abrem-se tribunas para a capela-mor e também para a nave, em alguns casos. As tribunas e o consistório formam. Assim, um segundo pavimento”.

( Oscar G. Campuglia, ?, p.14).

Este partido foi muito utilizado nas igrejas mineiras monumentais construídas no século XVIII.

 

- Exterior

 

            Quanto as fachadas apresentam uma evolução desde as que quase não apresentam elementos decorativos até as muito rebuscadas. Apresentam três partidos marcantes:

 

a)     Este partido aparece presente nas construções que datam da Segunda metade do século XVI. A construção destas fachadas segue as características do movimento Maneirista, expressão tardia do renascimento italiano, muito difundido em Portugal em meados do século XVI. Apresenta o frontão primitivo triangular que segue a caída do telhado com óculo central, as molduras dos vãos são de cantaria ou madeira, no plano superior duas janelas quadradas. A característica marcante que influi as fachadas posteriores é a ocorrência na frontaria de pilastros divisórias sem grandes relevos. A decoração arquitetônica dos exteriores nas chamadas igrejas barrocas do 2º e 3º século da nova história se apresenta com elementos especialmente barrocos, aplicados ou sobrepostos aos esquemas de fronteiras maneiristas da fase da evolução da arquitetura no Brasil. (8)

 

b)     As igrejas do século XVII e XVIII apresentam poucas modificações quanto ao partido de decoração da arquitetura de exteriores, sendo que as alterações mais profundas ocorrem nos frontões. Esta evolui do frontão primitivo, de formato triangular que acompanha o declive do telhado, através da sobreposição de volutas neste esquema de frontão maneirista.

 

c)      Este partido está presente nas fronteiras das igrejas da 2ª metade do século XVIII. Possui frontão que apresenta esquema triangular mas com ornamentação em relevo, mais elaborada e rica em minúcias, ao centro deste surge uma janela emoldurada com rica decoração e nas extremidades ocorrem urnas com flores, guirlandas e outras figuras (9). Apresenta geralmente uma porta principal com duas janelas acima, uma do lado direito e outra no esquerdo, no meio da porta, acima das janelas, ocorre um óculo ou janela. No corpo central e nas ilhargas, pilastras ou colunas decorativas emolduram o conjunto.

 

(8) Campiglhia, Oscar. (?) . “Igrejas do Brasil”. Idioma Português. São Paulo. p. 11.

(9) Idem, Ibidem, p. 12

 

- Torre

                       

As principais torres possuíam arremate em forma de “meia laranja” de caráter e técnica moçarabes, depois vieram as torres terminadas em forma de pirâmide recoberta de telha, foram as mais utilizadas por protegerem melhor os muros. Seguindo ocorrem o partido das torres “bulbosas”, propriamente barrocas da 2ª metade do século XVIII. No início do século XIX, devido a um surto neoclássico, retornam as torres em forma de pirâmide.

 

- Interior

 

O conjunto arquitetônico interno das igrejas brasileiras no período colonial era formado por obras de talha do retábulo e pelas pinturas dos forros e paredes (10).

 

 Forros

 

As igrejas brasileiras deste período apresentavam dois estilos de forro.

 

a)Este grupo abrange desde as igrejas mais antigas até as do começo do século XVIII. A estrutura do forro era formada por caixotões sobrepostos ao vigamento do andar ou ao madeiramento da cobertura. Sobre esta estrutura era feita uma pintura ornamental à têmpera ou a gesso e cola, com motivos arabescos florais desenvolvidos simetricamente em torno de um núcleo central (11).

b)Abrange as igrejas de meados do século XVIII. A estrutura do forro era feita de tábuas corridas especialmente para receber um estilo de pintura inovador, que em realidade seria um complemento da arquitetura. Consistiria no emprego de elementos arquitetônicos pintados em perspectiva, procurando que se imagine que a nave se abre para o céu (12).

 

Painéis

 

Os painéis pintados a óleo sobre tábuas, emoldurados com talha ou desenhos arabescos. Serviam para enfeitar capelas, sacristias e retábulos. Aparecem desde as igrejas mais antigas, sendo que em meados do século XVIII apresentam contornos mais caprichosos(13).

 

 Retábulos

 

 “1º grupo – fins do séc. XVI e princípio do séc. XVII:

 

          Os retábulos do 1º grupo, abrangendo o período enunciado, resultam das

influência gótico espanhola amalgamadas às renascentistas italianas, de onde o plateresco, ornamentação delicada que surge o trabalho de ourives sobre prata.

 

(10) Costa, Lúcio. (1978) . “Arquitetura Jesuítica no Brasil”. FAUUSP e MEC-IPHAN. São Paulo. p. 87

(11) Idem, Ibidem, p. 82.

(12) Idem, Ibidem, p. 83.

(13) Idem, Ibidem, p. 83.

 

A evolução deste 1º tipo de retábulo acentua a influência das correntes italianas. As linhas de composição são inspiradas em túmulos romanos do séc. XV, com marcação em duas ordens horizontais e tratamento mais em superfície plana do que volumétrica. Apresenta, formas apaineladas com pintura ao conjunto. No topo, um painel retangular é ladeado por volutas caprichosas, prenunciadoras do barroco. As colunas são estriadas em diagonal, com capitéis coríntios. Esse tipo de retábulo foi usado exclusivamente pelos jesuítas, no Brasil, e por isso se denomina jesuítico. Tem feição plateresca do entablamento para baixo.

 

2ª grupo – Meados do séc. XVII e princípios do séc. XVIII:

 

          O segundo tipo, representa a consolidação do barroco. Obedece a um fundo de inspiração romanico-bizantina caracterizada pela adoção de colunas torsas (salomômicas) em cujos fustes se enleiam elementos fitomorfos, zoomorfos e antropomorfos, todos de inspiração oriental. A característica romanica é dada pelo prolongamento das colunas que formam, principalmente, arquivoltas concêntricas, sugerindo o lineamento geral da composição parentesco com as portas romanas.

 

3º grupo – Meados do séc. XVIII:

 

          A distinção entre o 2º e o 3º grupo consiste no fato de que os elementos

decorativos e as liberdades elevadas a extremos rompem a trama regulada composição, sempre definida nos desenhos dos retábulos anteriores: hastes de folhas de parreira, cachos de uvas, vergônteas, margaridas, alcachofras, girassóis, romãs, lírios, rosas e elementos zoomorfos como: águias, pelicanos. Além de atestarem o fundo romatico-bizantino no lineamento geral da composição, revelam o delírio decorativo dos retábulos deste grupo. Apresentam ainda, elementos atropomorfos: anjos, querubins e serafins, profusamente empregados e inseridos nos elementos já descritos, em escala tal que a marcação geométrica da composição desaparece submersa... Surgem estranhos elementos: peanhas com santos protegidos por dosséis e imitação de cortinas, não de pano, mas talhadas em madeira. Não há freios para a imaginação dos artistas deste período. (As formas surgem tumultuárias). É o espírito de comedimento fundamental dos primórdios do barroco assume agora nos retábulos do 3º grupo maior expressão de liberdade e desenvoltura. É o caso do barroco.

 

 

4º grupo – Fins do séc. XVIII e princípio do séc. XIX:

 

          Era inevitável uma reação aos excessos feris observados no grupo anterior, expressos na exaltação da simbólica decorativa. Em contrapartida, surgem os retábulos barroco-rococó, que marcaram o retorno ao partidos em que a estrutura da composição volta a uma perfeita definição. As colunas salomônicas foram sendo substituídas por outras estriadas e capitéis coríntios. Somente a parte inferior das colunas preserva-se torsa; conservam-se as peanhas para santos e os dosséis. A marcação destes retábulos readquire nitidez. A decoração recebe um tratamento minucioso, cuja delicadeza nos pormenores sugere, via de regra o estilo D. João V, tão impregnado do gosto francês. Curvas e contracurvas, concheados, penachos tripartidos, plumas e folhas pregueadas cobertas de ouro, destacam-se vivamente do fundo,

              A aplicação de ouro intensiva nos demais tipos sobrevêm limitações, e é apenas admitida nos relevos delicadamente talhados. As superfícies vazias de fundo são pintadas de branco, efeito de aplicação sobrepostas, o que sugere uma certa dissociação entre os relevos e o corpo da obra devido aos efeitos de cores. De um modo geral, os retábulos do quarto grupo apresentam relações e formas goticistas.”

(Oscar Campiglhia, ? , p.17 a 19)

 

3.2  Análise Tipológica da Igreja Matriz de São Vicente

 

 

- Estilo

 

“... conserva, tanto interna com externamente, as proporções e aspecto geral das igrejas mais antigas, embora os vãos e o frontão datem do século XVIII, e o revestimento, a cobertura, o coro etc, tenham sido recentemente desfigurados...”

(Costa, Lucio “A Arquitetura dos Jesuítas no Brasil”. p. 23).

 

- Localização

 

           Segue a direção Noroeste a Sudeste

 

Imagem aerofotogramétrica da região central da cidade de São Vicente.

Fonte: Prefeitura Municipal de São Vicente.

  

Igreja Matriz de São Vicente Mártir

 

 

- Planta

 

Longitudinal, retangular, com ere orientado de Noroeste para Sudeste. De uma de nave única, a nave e a capela-mor aparecem perfeitamente diferenciadas, apresenta ao fundo um retângulo menor, para o altar e, ao lado Norte possui uma dependência lateral que se prolonga até a frente da igreja, onde se encontra a antiga sacristia, hoje secretaria, e um salão que servia de passagem e onde se encontra uma escada que dava acesso a parte superior, destinada às reuniões da irmandade.

A nave é ladeada por uma torre na face norte, esta apresenta uma planta de forma quadrada e abriga em sua parte inferior o Batistério e uma escada de acesso ao coro e campanário.

 

- Muros

 

São autoportantes, deduz-se pelo que foi analisado na bibliografia citada e pelo que foi analisado no local que os materiais empregados na construção tenham sido pedra e cal de ostras, apesar do que se encontrou em algumas fontes onde sugerem-se que seriam taipa, o que foi desmentido através das prospecções arquitetônicas executadas no ano de 2001, durante os trabalhos de estudo do edifício.

 

- Fachada Principal

 

            Apresenta uma porta central com duas janelas, uma à esquerda e uma à direita da porta em plano superior, as ombreiras, vergas e peitoris das janelas e portas são de cantaria com vergas de arco em círculo. Isto ocorre em todas as fachadas do edifício. Acima da cantaria da porta principal encontra-se um conjunto de cornijas.

            Acima das janelas foram colocadas duas cornijas salientes separadas por um pequeno espaço sendo a que se encontra embaixo é menor que a superior.

            No corpo central e nas ilhargas, do chão até estas cornijas existem colunas decorativas, sem grandes relevos, que emolduram o conjunto da frontaria.

            Em toda parte desta fachada na face Sudeste encontra-se um recobrimento de pedras de aproximadamente 1.70m.  

            O frontão data do século XVIII, mais precisamente em meados da 2ª metade deste, que é a fase de transição entre a forma regular e a livre barroca. Apresenta sobre o frontão clássico primitivo em forma triangular, obedecendo ao ritmo do telhado, volutas rompantes no centro do frontal e no eixo da porta encontram-se o óculo em forma de flor e emoldurado por cantaria. O frontão possui em cada uma de suas laterais balaústres decorativos e acima dele, ao centro, uma cruz de massa.

            Na torre apresentam-se sineiras com seus vãos de arco inteiro emoldurados por massa, com desenhos iguais aos dos vãos.

 

 Cobertura

            Houve a necessidade da desmontagem da estrutura da cobertura da área da nave, afetada pelo incêndio e pelo ataque de insetos xilófagos, quando se procedeu a desmontagem do forro verificou-se a existência de uma estrutura de cobertura realizada em madeira e formada por pernas caibrais e aspas francesas com secção de 10x10 cm, localizadas de 50cm em 50cm, ripões com 2,5x10 cm de 30cm em 30cm e frechais de 20x20cm acima de toda a extensão dos muros.

 

            Esta supracitada estrutura se adequa ao esquema estrutural e as alturas do edifício, assim como a configuração utilizada em telhados coloniais, pois se encaixe no segmento de telhas existentes na parede sobre o arco cruzeiro e respeita a altura do frontão. Apesar da estrutura do forro permanecer baixa e, portanto continuando a cortar parte do óculo, acredita-se que este floreado seria mais contemporâneo que o original justificando o problema. 

 

            Apesar de sua aparente modernidade, devido a existência de parafusos e pregos nos encaixes, esta foi considerada, pelos técnicos da Mitra Diocesana de Santos; o último documento da estrutura da cobertura do edifício.

 

            Outra descoberta realizada foi a existência de uma viga de apoio na sacristia, devido a marcas de aproximadamente 20x20 cm uma na parede divisória da sacristia, e a outra na parede entre a sacristia e o salão lateral, estas marcas encaixam perfeitamente abaixo da perna caibral desta área, logo abaixo da intersecção das peças.

 

            Partindo destas observações e descobertas a equipe técnica da Mitra Diocesana de Santos, acordou que o mais correto seria adotar a estrutura de cobertura encontrada na nave, como modelo para a recuperação de toda a cobertura da igreja, assim como o retorno da viga de apoio na área da secretaria, e a configuração original da estrutura de cobertura do campanário.

 

As telhas utilizadas são as de meio cilindro ou meio tronco de cone, pois segundo Sylvio de Vasconcelos na obra “Arquitetura no Brasil: Sistemas Construtivos”, este foi o único tipo de telha utilizado nas construções no Brasil até começo do século XIX, como demonstra a foto externa da igreja datada de 1914, que se encontra no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente.

          Os técnicos do IPHAN sugeriram as produzidas pela Cerâmica Nossa Senhora do Rosário de Itu, pois são as que mais se adequam em proporções com as telhas remanescentes encontras no local. Já o tipo de madeiras escolhido foi a garapeira indicada pelos técnicos do CONDEPHAAT, assim como, pela sua resistência física e estrutural, e sua durabilidade.

 

          Para sanar os problemas de vazamento e excesso de calor entre a cobertura e o forro foi colocada uma manta isolante e placas de isopor com 5cm abaixo das ripas.

 

            A torre apresenta um acabamento triangular com cobertura de estrutura de quatro águas cobertas com telhado do mesmo tipo que o restante da igreja.

            A Nave e a Capela Mor possuem um forro formado por tábuas corridas de Ipê, que se encaixam no sistema calça e camisa e seguem o desenho abobadado do antigo forro.

 

- Interior

 

         Toda a igreja estava pintada de branco e possuía nas partes baixas dos muros, em todos as dependências, os mais variados materiais de revestimento, azulejo, pastilhas, mármore, etc.

            Atualmente apresenta todos muros decapados e em processo de consolidação.

         Possuía um forro abobadado de tábuas corridas, ao qual foi sobreposto uma estrutura quadriculada de telas pintadas a óleo, que foi pregada ao forro. Apresentava na pintura repetições ornamentais tendo ao centro a figura de São Vicente Mártir. Este forro foi destruído no incêndio de 6 de setembro de 2000.

          Logo acima a entrada principal da Nave possuía um coro em concreto, sem nenhum valor histórico, que foi retirado por apresentar problemas estruturais e será prontamente substituído por um em madeira com característica coloniais.

            A Nave possuía quatro altares laterais, pequenos nichos nos muros recobertos de mármore com estilo neoclássico, sendo fechados os dois nichos próximos ao arco cruzeiro para a relocação dos antigos altares de canto e retirado todo o mármore dos outros dois nichos, os quais voltarão apresentar revestimento em madeira como era originalmente.

         Mas o maior bem da parte interior da igreja não é um bem arquitetônico, mas sim um bem móvel que se encontra fazendo parte do altar-mor do século XIX, são as quatro colunas e o sacrário remanescentes do Antigo Colégio dos Jesuítas existente na cidade de São Vicente.

 

“... quatro colunas e um sacrário do antigo Colégio de São Vicente, colunas posteriormente disposta de forma a receber o atual dossel...”.

(Lúcio Costa, 1978, p.57 e 58).

 

“... já S. Vicente se estava despovoando a decair e que ainda agora se conservam na igreja, conforme teremos ocasião de referir depois, quatro colunas e um sacrário, trabalhados no estilo característico dos altares jesuíticos do primeiro período.”

(Lúcio Costa, 1978. p.23).

 

         Características estas que se apresentam, nas colunas, assim como nas colunatas do sacrário; os capitéis são coríntios, e estriados em diagonal, recamado de folhas de acanto no sacrário. Atualmente estas peças se encontram danificadas, devido ao incêndio, e aguardam na própria igreja a serem restauradas.

 voltar