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“COMBATER A VIOLÊNCIA, CONSTRUIR A PAZ”! Feliz ano novo! Como é inspirador ouvir esta saudação de familiares, parentes, amigos, pessoas com quem a gente partilha a vida. E com que alegria queremos retribuir aos que convivem e se encontram conosco esta mesma saudação! Somos mutuamente alavancados para o futuro com amor e esperança. O amor move os corações e a esperança nos dá a capacidade de olhar para o futuro, mesmo através da neblina do presente e perceber que há luz no horizonte. No dia primeiro de janeiro abre-se para nós um horizonte novo. Neste primeiro dia do ano, celebramos o DIA MUNDIAL DA PAZ! Em nosso mundo tão marcado pela violência, queremos nos dispor a buscar os caminhos da paz. É uma tarefa de proporções gigantescas que certamente supera nossa capacidade humana. E é exatamente por isto, que nós nos confiamos ao Deus que veio a nosso encontro no Natal; que se tornou ser humano, como nós, e experimentou a perseguição logo após seu nascimento em Belém e teve que fugir para o Egito. Mesmo marcado pela oposição e pela violência ao longo de toda sua vida, apesar de amar intensamente os seres humanos, Ele confiou no Pai: “Eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo” (Jo, 16, 32). Passou pela morte na Cruz, ressurgiu e venceu a violência pelo amor e nos transmitiu a certeza da vitória: “Eu disse estas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Confiamos nosso projeto de paz Àquele que venceu o mundo. Nesse horizonte de fé e de esperança, queremos tomar em nossas mãos a Mensagem de Bento XVI, especial para este dia: Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a refletir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. E se inspira em João Paulo II: « Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, conseqüentemente, comprometem o autêntico e harmônico progresso da comunidade mundial » (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1993) Bento XVI analisa a globalização como um fenômeno também de expansão das desigualdades sociais. Não aceita que a pobreza seja fruto do desenvolvimento demográfico: a população confirma-se como uma riqueza e não como um fator de pobreza. Diante do fenômeno das chamadas pandemias (malária, tuberculose e AIDS), propõe medidas: a sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa; remédios, pesquisas médicas e campanhas educadoras. Preocupa-o a pobreza das crianças e defende a família e a atenção da mulher e da mãe. Pede atenção particular ao desarmamento como sinal de progresso: “Gera preocupação o atual nível global de despesa militar. É que, como já tive ocasião de sublinhar, « os ingentes recursos materiais e humanos empregados para as despesas militares e para os armamentos, na realidade, são desviados dos projetos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos mais pobres e necessitados de ajuda”(Mens., nº 6). Analisa também a crise alimentar atual: “Tal crise é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, mas sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenômenos especulativos e, conseqüentemente, pela falta de um reajustamento de instituições políticas e econômicas que seja capaz de fazer frente às necessidades e às emergências. A má nutrição pode também provocar graves danos psicofísicos nas populações, privando muitas pessoas das energias de que necessitam para sair, sem especiais ajudas, da sua situação de pobreza” (Mens., nº 7). O Papa propõe na luta contra a pobreza a solidariedade global entre países ricos e pobres e no âmbito interno de cada país, de acordo com a lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano (citando Rom, 2, 14-15). Os pobres não são um fardo pesado e inoportuno. Eles “pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos » (João Paulo II, Centesimus Annus – n.. 28). E Bento XVI conclui: “Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível para ir em seu socorro. De fato, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma « combater a pobreza é construir a paz ». Desejemos mutuamente Feliz Ano Novo no combate à pobreza e na construção da paz! Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo Diocesano de Santos
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