PÁSCOA: FESTA DO SENTIDO DA VIDA


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             Lia nestes dias um artigo de um responsável da ONU pelo Meio-ambiente, onde ele afirmava que a humanidade para ter futuro deve se voltar à natureza. Temos cada vez mais consciência disto. Na Campanha da Fraternidade estamos refletindo sobre a criação, obra de Deus. E Ele viu que tudo o que havia feito era bom. Devemos, pois, escolher a vida!

            O Documento de Aparecida louva Deus pela dignidade da pessoa humana, criada à sua imagem e semelhança; pelo dom maravilhoso da vida e por aqueles que a honram e a dignificam ao colocá-la a serviço dos demais; proclama com alegria o valor da família e o sentido do trabalho como participação na tarefa criadora de Deus; as ciências e a tecnologia e a boa nova do destino universal dos bens e da ecologia”(DA, 104-125).

            A Campanha da Fraternidade, a Quaresma, a Semana Santa e a Festa da Páscoa nos levam a meditar sobre o sentido da vinda e da vida de Jesus, e sobre o sentido profundo de nossa própria vida, à luz da Fé.

            Há uma caminhada em nossa descoberta de fé. Vejamos alguns passos. No 4º domingo, Jesus cura um cego e ele reconhece que quem o curou é um profeta e quando Jesus lhe pergunta: “Acreditas no Filho do Homem?” Ele, por sua vez, perguntou: “E quem é, Senhor, para que creia nele”? Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.

            Aproximando-se o momento de sua entrega ao Pai e de sua Ressurreição (5º domingo), Jesus ressuscita Lázaro e proclama: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais” (Jo 11, 25-26).

E no Domingo de Ramos, Ele entra em Jerusalém num jumento, como o “Profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia”. Na Quinta-Feira Santa, celebra a Ceia, institui a Eucaristia e lava os pés aos apóstolos: “Vós me chamais mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés  uns dos outros” (Jo 13, 13-14).

O sentido da vida de Jesus é o de dedicar-se ao Pai e aos irmãos e irmãs. Ele tem um “batismo” com o qual deve ser batizado. Passa pelo Jardim das Oliveiras e reza ao Pai que se fosse possível afastasse dele o cálice da Paixão, mas que, acima de tudo, se fizesse a vontade do Pai. Enfrenta com serenidade e decisão a prisão, o julgamento, a condenação, o caminho do Calvário e a morte na Cruz: “Tudo está consumado”. E é colocado num túmulo novo, que estava ali perto no jardim.

Aos olhos humanos, tudo parecia terminado. A aventura deste Profeta destemido e corajoso parecia ter chegado a seu último capítulo, como sucede com os seres humanos. E se, de fato, tudo tivesse parado neste túmulo novo, quem sabe hoje talvez houvesse alguém que o visitasse. Ou até, nem isso! Tudo teria ficado na lembrança literária de historiadores, filósofos e pensadores.

Entretanto, acontece o “primeiro dia da semana”, no qual Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, ainda de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” (Jo, 20, 1-2).

 Depois desse “primeiro dia da semana”, sabemos todos os outros fatos que foram acontecendo: a corrida de Pedro e João ao túmulo, a aparição de Jesus aos Apóstolos, a caminhada de Jesus com os Discípulos de Emaús, a dúvida de Tomé e a aparição de Jesus junto ao Mar da Galiléia: “Pedro, tu me amas”?

E na Galiléia, Jesus se aproximou dos Apóstolos e lhes disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt, 28, 18-20).

A Igreja continua se reunindo e celebrando o Domingo, o dia da Ressurreição do Senhor, de oito em oito dias, ouvindo e pregando Sua Palavra. E proclamando o sentido da vida que é encontrar-se com o Senhor, “com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (DA, nº 12).

Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo de Santos