PARTES FIXAS DA MISSA
1 - Chama-se Ordinário as partes fixas da Missa, isto é, aquelas que não variam na celebração, atendendo, pois, a todos os tempos litúrgicos. Os cantos, aqui, são chamados de cantos fixos e são mais importantes que a maioria dos cantos variáveis ou próprios. Os cantos fixos são: o "Senhor, tende piedade" ou "Kyrie", o "Glória", o "Santo" e o "Cordeiro de Deus".
2 - Kyrie: O Kyrie ou "Senhor, tende piedade" , conforme a instrução do Missal Romano, é um canto pelo qual os fiéis aclamam a Cristo Senhor e imploram a sua misericórdia (Kyrius = Cristo). É uma pequena ladainha penitencial, portanto um canto litânico, constituindo ele próprio o rito litúrgico. Quanto à importância litúrgica, está no segundo grau, em escala decrescente, como propõe a Instrução "Musicam Sacram".
3 - Glória: Chama-se também este canto "Hino Angélico" e "Grande Doxologia". Não constitui o "Glória" um hino trinitário, mas cristológico. Hino antigo, do século IV, por ele a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro (IGMR 31ª). Não acompanha um rito, mas é ele o próprio rito. Sendo glorificação e súplica da Igreja, deve ser cantado por todos. É um "hino angélico", porque se inspira no hino cantado pelos anjos aos pastores, no Natal; e "grande doxologia", para distinguir-se da doxologia menor "Glória ao Pai...", que todos conhecem e rezam. Para o "Glória", deve-se evitar as paráfrases, estas, quase sempre, distanciando-se muito do texto primitivo. Não é cantado no Advento e na Quaresma. Na graduação da liturgia, é canto também de segundo grau.
4 - Santo: Chama-se também "Hino dos Serafins" e "Louvor Universal". Após a ação de graças, expressa principalmente no Prefácio, toda a assembléia entoa a aclamação do "Santo", que constitui parte da própria Oração Eucarística. O "Santo" é uma aclamação de todo o povo. Seu conteúdo faz parte de três textos bíblicos: o louvor celeste dos serafins, na visão de Isaías (Cf. Is 6,3), e o brado de triunfo messiânico do povo de Deus, ao acolher o Salvador (Cf. Sl 118,26 (117); Mt 21,9). Este canto une, em espiritualidade bíblica, a liturgia terrena, celebrada pela assembléia, à liturgia celeste, cantada pelos anjos. Como no exemplo do "Glória", deve-se também aqui evitar as paráfrases do "Santo", sobretudo por ser este um canto essencialmente bíblico. É canto de primeiro grau na escala litúrgica, e, a exemplo do "Kyrie" e do "Glória", constitui-se também ele o próprio rito.
5 - Cordeiro de Deus: É o canto que acompanha o rito da fração do pão. Prece litânica e de origem bíblica, faz alusão ao Cordeiro pascal (Cf. Jo 1,36). De forma mais plena, faz alusão também ao Banquete escatológico das Bodas do Cordeiro (Cf. Ap 19,7.9), do qual a Eucaristia é o sinal e o penhor. Em celebrações mais solenes, pode ser cantado só pelo coral, mas, em qualquer hipótese, o presidente dele não participa. É canto de segundo grau na escala litúrgica. Na prática, sua importância é muito ignorada, e, lamentavelmente, quase sempre é "abafado" pelo canto suplementar do "abraço da paz", que o antecede.