FESTAS JUNINAS E ANO PAULINO


O mês de junho tradicionalmente é o mês da festas juninas, marcadas pela alegria e pela concentração popular. Seguindo o calendário, no dia 13, ocorre a festa de Santo Antônio. Nascido em Lisboa, de família nobre, era candidato a ser cavaleiro do rei. Surpreendentemente, abandona a nobreza e entra para o seminário. É ordenado sacerdote. Conhecendo os filhos de São Francisco de Assis, que de Portugal se dirigiam em missão à África, a fim de pregar Jesus Cristo, tornou-se um deles. Alguns deles voltavam martirizados e eram enterrados cheios de glória pelos fiéis. Também parte em missão. Mas por desvio de rota por causa do vento, vai parar na Sicília, de onde segue para Assis encontrar o fundador São Francisco. A partir de então torna-se brilhante orador popular e prega o Evangelho em toda a Europa, necessitada de uma renovação espiritual. Místico, tinha contatos profundos com Jesus. A imagem do Menino Jesus em seus braços é exemplo de sua contemplação espiritual.
Nesse clima de festas populares, a Igreja no Brasil recorda um fato que envolveu e ainda envolve tantas pessoas. É a migração. Na Baixada Santista este fato é verificado historicamente pela chegada dos imigrantes de outros continentes através do Porto de Santos: portugueses, espanhóis, italianos, alemães, poloneses e japoneses. Por sinal, a imigração japonesa festeja neste ano seu centenário de chegada ao Brasil pelo famoso navio Kasato Maru, ao Porto de Santos. Muitos destes imigrantes se fixaram na Baixada Santista. Também há forte presença de nordestinos, mineiros, paulistas do interior e de outros Estados do Brasil. Neste ano, o tema do Dia do Migrante é: “Migrantes, Vida e Direitos”. Seu lema: “Basta de Migração Forçada” se liga ao fato de que muitos migram dentro do território brasileiro e para o Exterior por não encontrarem condições dignas de vida.
Continuando com as Festas juninas, no dia 24, celebra-se com fogueiras e júbilo popular, a Natividade de são João Batista, aquele que preparou a vinda de Jesus, pregou a conversão e a penitência. Mostrou Jesus presente e, a seu pedido, O batizou. No Nordeste brasileiro, sua festa é chamada de “natalina” e é intensamente celebrada pelo povo.
No dia 29 de junho, celebramos os Apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro foi encarregado por Jesus a apascentar suas ovelhas, após confirmar seu amor ao Mestre pela terceira vez: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo” (Jo, 21, 17). Paulo, de perseguidor dos cristãos, converteu-se a Jesus Cristo num encontro vivo e significativo com Ele, no caminho de Damasco. E se tornou seu grande missionário na Igreja Nascente.
Neste ano de 2008, estamos diante de um evento de suma importância: “O Papa Bento XVI proclamou um “Ano Paulino”, para celebrar os 2000 anos do nascimento de São Paulo, com início na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, a 29 de junho de 2008, e a terminar um ano depois. Paulo, grande Apóstolo da Palavra, pode ser o nosso guia para descobrirmos, mais profundamente, o lugar da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Basta pensar que ele é o autor sagrado mais freqüentemente lido na Liturgia” (Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa).
Paulo é o evangelizador cuja força brota do encontro vivo com o Cristo Ressuscitado: “Ele é o poder de Deus e a sabedoria de Deus” (1Cor 1, 23-24). “Para mim viver é Cristo” (Fil 1,21). E se entrega à pregação da Palavra e abre nova e grande fronteira da Evangelização: “A mim, o menor de todos os santos, foi dada a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo” (Ef 3,8).
Teremos um ano para caminhar com São Paulo, penetrar na Palavra de Deus que brota de sua pregação e escritos e a vivenciar os textos de São Paulo que são lidos na liturgia. São Paulo nos ajude a penetrar o Mistério do amor de Cristo, a viver o Hino ao Amor (1Cor 13) e a sermos missionários de Jesus em nossa Diocese, sobretudo nas áreas de periferia.

Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo de Santos